ANÁLISE | A escada

Fomos todos punidos.”

Nessa frase clássica do mais famoso romance de William Shakespeare, temos a essência deste documentário sobre um crime nunca resolvido.



Acidente ou assassinato a sangue frio?

Em 2001, no condado de Durham na Carolina do Norte (EUA), o serviço de emergência recebeu a ligação do autor Michael Peterson onde ele dizia, de maneira desesperada e pouco compreensível, que sua esposa havia caído da escada e que ainda respirava.
Minutos depois ele voltou a ligar dizendo, ainda daquele modo alterado, que sua esposa não estava mais respirando e que deveriam mandar socorro o quanto antes.

No meio de todo aquele caos, ele não sabia explicar muito bem como tudo tinha acontecido, apenas que sua esposa estava caída no final da escada em uma poça de sangue.
Após a investigação forense, Michael Peterson foi acusado de assassinar sua esposa Kathleen Peterson que possuía ferimentos inconsistentes com uma queda.



Michael foi condenado após três meses de júri, por homicídio em primeiro grau a passar o resto da vida na cadeia sem direito a condicional. Mas não foi um julgamento normal. A defesa apresentou teorias malucas como a morte de Kathleen ter acontecido após um ataque de uma coruja e a promotoria apresentou um caso de morte idêntico ao de Kathleen também com envolvimento de Michael Peterson que falarei sobre mais a frente no texto.



O documentário foi dirigido pelo vencedor do Oscar por “Murder on a Sunday morning”, Jean-Xavier Lestrade, que acompanhou o caso por anos e anos. Primeiramente o documentário foi exibido na televisão francesa no ano de 2004 e tinha oito episódios. O caso foi apresentando tantas reviravoltas com o passar dos anos que Lestrade, continuou a documentar o quê acontecia, apresentando episódios extras. Finalmente a Netflix adquiriu o documentário e incluiu mais três episódios inéditos com a vida atual de Michael Peterson após anos de júri com toda uma sorte de bizarrices, totalizando 13 episódios.
Mas afinal, Michael Peterson é culpado ou inocente?

Michael alega inocência mesmo após todos estes anos mas as circunstâncias não são muito favoráveis a acreditarmos nele. De qualquer forma não posso decidir isso porém posso especular.
Durante o primeiro casamento de Michael, quando ele ainda vivia na Alemanha em 1985, ele e sua esposa Patricia, eram amigos de Elizabeth Ratliff que foi encontrada morta ao pé da escada, em circunstâncias muito parecidas com a de Kathleen. Curiosamente, Michael esteve na casa dela no dia do acidente e foi o último a vê-la viva.
Antes de encontrar Kathleen ao pé da escada, Michael disse que eles jantaram normalmente, assistiram ao filme “Os queridinhos da América” e foram se sentar perto da piscina. Ele disse que a esposa foi para a cama antes dele, enquanto que ele ficou por mais um tempo do lado de fora fumando um cachimbo. O argumento da defesa é que Kathleen misturou vinho com valium e devido aos efeitos dessa mistura, ao subir a escada, acabou caindo, batendo a cabeça na quina da escada e com isso, sangrou até a morte.
O problema deste argumento é que exames forenses identificaram uma quantidade tão insignificante de álcool no sangue de Kathleen que ela poderia ter obtido aquilo apenas com um enxaguante bucal. Além disso o detetive achou a cena toda suspeita, como se tivesse sido arranjada, como as taças de vinho em cima do balcão que depois descobriram não ter impressões digitais de Kathleen em nenhuma delas.
A investigação forense determinou que Kathleen foi morta após um espancamento e que sofreu 7 lacerações na cabeça. Michael Peterson ao telefonar para o 911 disse que sua esposa ainda respirava mas encontraram o sangue ao redor da vítima totalmente seco, indicando que ela já estava morta há uma certo tempo, aproximadamente 2 horas.  


A grande problemática da promotoria é o fato de levar Michael ao julgamento o considerando culpado e apesar das evidências forenses, se focou demasiadamente na sexualidade dele, como se isso fosse justificativa suficiente para um assassinato. Após a investigação ter encontrado centenas de fotos de homens nus e o contato de Michael com um homem por email, definiram que o motivo foi pela descoberta de Kathleen a respeito dos emails e fotos.
Após 8 anos preso depois de ter sido condenado à prisão perpétua, outro julgamento foi autorizado ao terem descoberto que um dos analistas havia mentido em julgamento.
Michael Peterson, não disposto a passar por outro julgamento, fez um acordo com a promotoria.  
O caso no fim das contas, não foi solucionado.
Kathleen não teve seu possível assassinato resolvido e Michael mesmo com a possível culpa - é difícil de acreditar que uma coruja foi responsável - nunca obteve um julgamento justo, em que a presunção de inocência foi considerada.

Se interessou? Assista ao trailer abaixo. 




10 comentários:

  1. Olá!
    Tudo bem? Eu não conhecia essa história, logo nem sabia da existência desse documentário. E caramba, estou chocada!!! E já quero assistir. É muito louco que um assassinato dessa forma acabe sem um desfecho... porém acho difícil que uma coruja tenha causado tudo isso, mas porque um dos analistas mentiu? acho que teria mais coisas por aí que não contaram. haha Fiquei muito curiosa.
    Beijos

    www.lendoeapreciando.com

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  2. Oi, Mirian!
    Vi o trailer desse documentário-série, mas como não faz muito o meu estilo, deixar passar despercebido. Lendo a sua análise agora, deu para perceber que é, no mínimo, um caso muito peculiar e que deixa a gente com uma pulga atrás da orelha né? Falar que uma coruja foi a causa da morte, ter a mentira de um analista... os detalhes chamam bastante a atenção. É uma pena que este seja mais um dos casos que não terá solução de verdade.
    Beijos!

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  3. Oie amore, raramente paro na frente da tela pra assistir algo.
    Recentemente estou começando a até a assistir algumas séries, mais essa que você trouxe hoje, sendo bem sincera não me agrada.
    Apesar do mistério que a envolve, passo a dica.
    Adorei seu post!
    Beijokas!

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  4. Assisti todo o documentário, fiquei viciada! Não parei até terminá-lo. Gosto de coisas que mostram fatos reais...
    Achei muito interessante e intrigante ao mesmo tempo. Nos faz pensar em tantas coisas...
    Mesmo assim, tive uma análise, claro, daquilo que foi mostrado e para mim este julgamento veio acumulando erros, tanto lá no início das investigações, como no próprio julgamento. Sou advogada, não atuo nesta área, mas gostei muito do documentário... me fez parar e pensar em muitas coisas... Se este formado de júri é realmente eficaz... se realmente consegue achar a verdade...

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  5. Depois de ver todos os detalhes e varios documentarios sobre o caso eu o considero culpado .

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    1. Por mais que vc procure, investigue os erros, por tudo, tudo, tudo, não tem como ser inocente.

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  6. Maratonei esse documentário, é realmente algo que te prende a atenção.
    Na minha opinião sincera, durante o julgamento por várias vezes me fiz desconfiar dele. Ele não passava verdade, pareceu uma pessoa fria até às cenas emotivas dele são frias. Para mim ele é um psicopata e pessoas nessa condição se saem bem em julgamentos por não apresentarem remorso, empatia, etc e isso ajuda a manter-se no controle do que você quer expressar ao público. Acreditei nele até um determinado momento até emergir a história de que outra mulher havia morrido de forma semelhante e sob circunstâncias suspeitas e (coincidentemente?) ele era a única testemunha...
    Recomendo o documentário, também recomendo um olhar analítico sobre o réu. Por vezesvai dar um ódio dos advogados sensacionalistas hahah

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    1. Olá,sinceramente,os advogados no início da petição nao solicitaram dna, do réu,também,do sopro da lareira, o réu sem emoções, no tribunal parecia um artista convidado para assistir o julgamento,ficava de lado, advogado de defesa sem luva pegou na roupa da vítima, nao isolaram a cena do crime ou acidente da Katlenn, realmente,esse documentário é
      bastante envolvente nos seus 13 episódios,estão de parabéns quem criou e fez essa história staircase, superou a Agatha Christie,minha autora preferida, com seus mistérios,etecetera, concordo com o Juiz, não havia necessidade de falar da bisexualidade o Michael, o foco era como katlen morreu, aliás uma boa pergunta: não concordo com o Juiz sobre os jurados darem o benefício da dúvida, ao meu entendimento, convocasse peritos altamente profissionais para esclarecer de fato o que aconteceu. Enfim,
      excelente documentário.

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  7. Retificando, dna de quem pegou no sopro da lareira,que é citado no julgamento,
    parabéns aos autores, equipe em geral e atores de Starcaise.

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  8. O cara já é um mentiroso e dissimulado por ter vida dupla,alguém morre igual e ele estava lá ,parecia cena de um matadouro e foi queda?pelo amor de Deus ainda tem quem q duvide da culpa dele?

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