CRÍTICA | Com Amor, Van Gogh





Sinopse: 1891. Um ano após o suicídio de Vincent Van Gogh, Armand Roulin (Douglas Booth) encontra uma carta por ele enviada ao irmão Theo que jamais chegou ao seu destino. Após conversar com o pai, carteiro que era amigo pessoal de Van Gogh, Armand é incentivado a entregar ele mesmo a correspondência. Desta forma, ele parte para a cidade francesa de Arles na esperança de encontrar algum contato com a família do pintor falecido. Lá, inicia uma investigação junto às pessoas que conheceram Van Gogh, no intuito de decifrar se ele realmente se matou.



Direção: Dorota Kobiela e Hugh Welchman | Gênero: Animação | Ano: 2017


Seis anos foram necessários para a produção deste filme. Ao longo do processo, mais de 100 artistas trabalharam na pintura de cada uma das cenas utilizando as técnicas do pintor Vincent Van Gogh. Este é o primeiro longa-metragem lançado com a técnica de pintura sobre fotogramas, o que lhe rendeu um merecido Oscar de Melhor Animação este ano.

Tudo isso já seria motivo suficiente para um amante de arte e animação resolver assistir ao filme. Na verdade, isso tudo foi o que também me levou a assisti-lo, além do fato de ser uma obra que trata sobre Vincent Van Gogh, um dos maiores pintores do mundo e um de meus favoritos. Entretanto, devo admitir que eu tinha alguns receios sobre essa produção.

Minhas expectativas quanto à estética da obra eram grandes, pois observar a trajetória de Van Gogh e seus personagens no trailer é como vê-los ganhando vida. No entanto, minha preocupação era com o enredo. O fato da história se iniciar um ano após a morte do pintor me fez acreditar que ela seria monótona. Porém, eu estava completamente enganada.

O filme traz um enredo bem construído, que mescla a ideia de produção documental com uma investigação ficcional. Em 1891, um carteiro e antigo amigo de Vincent encontra uma carta que o falecido pintor havia escrito ao irmão Theo antes de morrer. Ele dá a carta ao filho, Armand, e pede que este siga para a cidade francesa de Arles em busca de Theo para entregar a correspondência.


De início, Armand detesta a ideia. Além de achar que aquilo não era sua função, o rapaz, assim como a maioria das pessoas da cidade, nunca havia gostado de Vincent. Para Armand, era um grande absurdo que agora fosse obrigado a entregar a carta de um morto maluco, mas acaba obedecendo o pai e indo atrás de Theo.

Entretanto, ao chegar em Arles, Armand descobre que seis meses após a morte de Vincent, Theo também havia falecido. Frustrado, o rapaz passa a procurar outras pessoas que eram próximas do pintor para que pudesse entregar a carta. O problema é que cada pessoa com quem conversa tem uma versão diferente para contar sobre Vincent e a forma como ele havia morrido.

Com o avançar do filme, Armand vai se embrenhando na história do pintor, conhecendo a hostilidade das pessoas que o cercavam e a solidão que sentia por seus quadros não agradarem os outros. Cercado de inimigos, Vincent estava sempre psicologicamente atormentado. Com isso, Armand passa a ter um novo objetivo: descobrir se o pintor realmente se suicidou ou se foi assassinado.

A investigação feita por Armand é algo necessário ao personagem, que vai amadurecendo ao longo da narrativa e passa a enxergar as pessoas além dos rótulos que são colocados pela sociedade. O filme também aborda a questão da depressão e a necessidade de intervir diante de situações em que uma pessoa se torna o alvo da opressão de outras. 


Há muitos flashbacks da vida de Van Gogh no filme e é interessante a forma como isso foi diferenciado das cenas de Armand com imagens em preto e branco. Outro aspecto curioso do filme é o fato de todos os personagens da narrativa estarem realmente presentes em quadros de Van Gogh, assim como muitas das paisagens pintadas por ele, que foram reconstituídas na produção.

É um filme tão instigante quanto comovente. E para mim, a mais forte das emoções é expressa no momento em que uma das personagens pergunta a Armand se ele acha que Vincent era muito solitário e por isso se suicidou, ou se o fato de ele ser solitário demais fez com que aceitasse a “amizade” das pessoas ruins que o assassinaram.

É neste momento que percebemos o quanto o sentimento de solidão pode ser destrutivo a uma pessoa depressiva, pois às vezes não importa qual das atitudes ela tome, o final pode ser o mesmo se não houver esperança de que a vida possa ser melhor. Nos dias de hoje, é fácil aceitar Van Gogh como um gênio da arte, mas pensar que ele foi humilhado durante toda a vida e que era capaz de pintar a beleza e a felicidade que não era capaz de sentir é doloroso.

Se gostou, não deixe de ver esse lindo trailer: 


13 comentários:

  1. Que maravilhosa resenha, eu já assisti esse filmes pelo menos umas 3 vezes, posso dizer que é um dos meus favoritinhos do ano, é de um detalhe e sensibilidade incríveis.

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  2. Olá!
    Não conhecia esse filme e pouco sei sobre artes, mas Van Gogh é sem dúvidas referências para muitos apreciadores.
    Achei muito bonitas as pinturas e apesar de não sentir muito a vontade de querer assistir o filme, achei bem interessante conhecer através do seu ponto de vista.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  3. Nossa, a premissa é interessante, mas toda essa arte da obra ta impecavel! Com certeza vou assistir! Beijos!

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  4. eu conheço mais ou menos a história de Van Gogh, então estou curiosa pra me aprofundar mais. e fiquei chocada que levou 6 anos pra produção do filme :o deve tá excelente!

    Virando Amor

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  5. Mds!!

    Terminei agora meu preriodo, e em história da Arte estudei pakaaaas sobre Van Gohn, e fiz uma releitura dele e pesquisei muito, mais ainda não tinha conhecimento sobre o filme, irei assistir com toda certezaaa, adorei sua resenha me deixou bem anciosa para assisti-ló.

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  6. Já vi alguns comentários sobre a animação, mas assim como você, tenho alguns receios quando ao enredo, mas saber que você estava enganada me anima. Assim como ver que foi tratado sobre rótulos sociais e depressão. Vou procurar para assistir.

    Abraços.
    https://acabinedeleitura.blogspot.com/

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  7. Olá, tudo bom?
    Sou louca para ver esse filme desde que ouvi falar sobre a estética linda que o mesmo apresenta. Não sabia que o filme tinha um enredo que se passa um ano após a morte do pintor e ser construído através de prova documental em meio a uma investigação ficcional fez com que ficasse ainda mais curiosa para conferir a construção de toda essa trama. Curti também essa percepção que o filme passa sobre o quanto o sentimento de solidão pode ser nocivo e destrutivo a uma pessoa depressiva.
    Espero gostar tanto quanto você! ♥ Beijos!

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  8. Oi! Eu vi sobre esse filme quando lançou, e por admirar a obra do artista, fiquei muito interessada. Lembro que vi um pequeno vídeo sobre a criação das cenas, e de como vários artistas contribuíram para a montagem do filme. Achei super interessante a maneira criativa que encontram em homenageá-lo. Que bom que no fim das contas foi um excelente filme!

    Bjoxx ~ www.stalker-literaria.com ♥

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  9. Olá, Jéssica!

    Confesso que não conheço muito de arte ou dos seus representantes. Mas que admiro quando vejo isso é certo. Gostaria de conhecer mais, entender mais só que o tempo é tão curto que acabo dando prioridade aos livros e o resto fica meio que esquecido. :(

    Mas achei a ideia desse filme fantástica! E o trailer é incrível, nos fazendo desejar assistir o filme. Eu quero ver! Não sei quando conseguirei, mas pretendo reservar um momento para assistir essa animação emocionante.

    É realmente muito triste isso. Ver grandes artistas conseguirem sucesso apenas após a sua morte, e no caso do Van Gogh é ainda mais cruel saber que ele foi tão desprezado e humilhado, tão infeliz. :(

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  10. Oi, tudo bem?
    Eu já tinha ouvido falar sobre esse filme e visto muitos elogios, especialmente à parte técnica. Porém, confesso que sabia muito pouco sobre o enredo ou sobre como a história de Van Gogh. Adorei a crítica e fiquei bastante curiosa para assistir. Parece que o filme é realmente lindo, tanto esteticamente quanto na história. A vida do Van Gogh foi realmente triste e é difícil imaginar tudo que ele passou. Não consigo entender como o trabalho dele foi tão menosprezado enquanto ele era vivo.
    Enfim, adorei a dica e vou querer assistir em breve.
    Beijos!

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  11. Olá!
    Eu não sou uma pessoa que acompanha tanto a arte, mas é impossível não admirar as obras de Van Gogh. Ele era um artista incomparável, de um talento incrível, saber que há um filme que é retratado como as obras dele é excitante. Com certeza vou querer assistir.

    Traveling Between Pages

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  12. Oi, tudo bem?
    Acho muito legal esse tipo de filme e fiquei muito contente por ele ter agradado, mas eu confesso que não fiquei muito curiosa para assistir, acho que não é o tipo de obra que vai me prender assistindo, sabe? Mas é muito legal que o filme seja comovente também.
    Acho que minha amiga, que ama o Van Gogh, vai amar essa indicação.
    Beijos

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  13. Oii tudo bem??

    Não conhecia esse filme e fiquei muito interessada, que trailer lindo, deve ser muito apaixonante.
    Vou procurar assistir, adorei sua critica.
    Bjus Rafa

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