A Metamorfose é a mais célebre novela de Franz Kafka e uma das mais importantes de toda a história da literatura. O texto coloca o leitor diante de um caixeiro-viajante - o famoso Gregor Samsa - transformado em um inseto monstruoso. A partir daí a história é narrada com um realismo inesperado que associa o inverossímil e o senso de humor ao que é trágico, grotesco e cruel na condição humana - tudo no estilo transparente e perfeito desse mestre inconfundível da ficção universal. 

Editora: Pé da letra | Páginas: 97 | Ano: 1915 | Preço: R$ 23,70



A Metamorfose é realmente uma leitura bem esquisita. Escrito em 1915 por Franz Kafka, A Metamorfose conta a história de Gregor Samsa e sua transformação que afeta drasticamente sua família.


É impossível não ler este livro e questionar sobre questões políticas que ainda são muito presentes, diria que até mais do que já era na época, como a alienação que o capitalismo desenvolve nas pessoas e como a pessoa é desumanizada quando não segue essas regras.

Mas boa parte do livro é na verdade sobre a relação familiar de Gregor e o quanto se distanciavam cada vez mais. O surrealismo com que nos deparamos no início do livro é algo que pode ser difícil para alguns leitores, pois o protagonista se transforma em um inseto, mas isso não parece nada demais. 



É engraçado e triste perceber que a primeira preocupação de Gregor é com o fato de que precisa trabalhar e não que agora não tem mais formas humanas. Me fez pensar naquela situação comum em que o corpo humano implora por descanso, mas não é obedecido por que as obrigações estão à frente de nossa vida, saúde e bem-estar. Novamente, impossível não pensar nos pesados grilhões do capitalismo.



A relação familiar é curiosa, e também triste, pois por anos Gregor tem sido o provedor da família, trabalhando como caixeiro viajante de sol a sol, e sua impossibilidade de continuar a provê-los, o transforma em um nada para a família. Imagino que a primeira coisa que esperaria de meus entes queridos é que se acordasse transformada numa barata, eu teria apoio e não rejeição. É muito triste notar que a relação entre Gregor e sua família morreu quando ele acordou com várias patinhas e anteninhas, ou melhor, quando ele deixou de ser útil.


Ao terminar a leitura eu não sabia como classificar a experiência, pois é uma leitura rápida, mas intensa, e os sentimentos que o livro lhe causa são difíceis de digerir no primeiro momento (ou no segundo ou décimo). Mas não é à toa que o livro é considerado um dos grandes clássicos da literatura, ainda mais quando pensamos que mesmo hoje, mais de 100 anos depois, o livro é extremamente atual. Ou melhor dizendo, tristemente atual.


Lançado em 1961, Bonequinha de Luxo é um filme clássico dirigido por Blake Edwards e baseado no livro homônimo de Truman Capote. Apesar de ser uma obra da década de 1960, o filme ainda faz grande sucesso, sendo que sua popularidade deve muito à protagonista Holly Golightly, interpretada por Audrey Hepburn.

Assisti ao filme motivada pela imagem da personagem, que sempre vi representada em muitos lugares e posso dizer que não me decepcionei com ela. Holly rapidamente entrou para minha lista de personagens mais carismáticas já vistas em produções cinematográficas. Portanto, se você ainda não viu o filme, digo que vale a pena, principalmente por causa dela. 


Entretanto, nem tudo me agradou nessa produção, e nessa análise vou explicar o que encaro como o tema principal do filme: a liberdade feminina. Para contextualizar aos que ainda não o viram, a obra conta a história de Holly Golightly, uma prostituta de luxo que sonha em se casar com um milionário.

Holly costuma tomar seu café da manhã em frente à famosa joalheria Tiffany, a qual considera como o melhor lugar do mundo. De início, ela nos parece apenas uma mulher fútil e deslumbrada pela riqueza, mas com o avançar do filme podemos perceber o quanto ela é determinada, independente e muito prática, mesmo que ainda demonstre uma personalidade ingênua.

Aos poucos, o filme nos conta os sofrimentos pelos quais Holly passou na infância e as atitudes que tomou com a intenção de superá-los e tudo isso só fez com que eu sentisse mais pena e afeição pela personagem. Como telespectador, grande parte dessas descobertas que fazemos sobre a vida de Holly são por meio de Paul Varjak, um escritor que se torna seu vizinho de apartamento.

Holly e Paul começam uma amizade e vemos essa aproximação entre os dois aumentar depois que ela descobre que Paul recebe dinheiro sendo amante de uma mulher casada. De qualquer modo, mesmo que os dois tenham formas parecidas de ganhar dinheiro, o relacionamento deles se mostra alheio à isso, se firmando em uma amizade que envolve conselhos e preocupações sinceras.


Não sou exatamente fã de filmes românticos, mas me vi torcendo por esse casal, que parecia ter uma boa química e um relacionamento bem construído. Eram o tipo de casal que, mesmo sem dizer, deixa o telespectador perceber que estão apaixonados um pelo outro. Entretanto, Paul não era o homem milionário dos sonhos de Holly e é a partir disso que começam as complicações do filme.

Neste momento, irei tratar mais diretamente sobre as questões da liberdade feminina mostradas na produção e para isso será necessário mencionar SPOILERS, portanto se você ainda não viu o filme e se incomoda com isso, aconselho a finalizar a leitura do texto por aqui.  A seguir, a análise irá apresentar vários SPOILERS dessa obra.

Ao observamos um filme clássico, um fator de grande importância é o contexto no qual ele foi produzido; nesse caso, o contexto da década de 1960. Pesquisadores afirmam que o papel da mulher na sociedade começou a mudar entre as décadas de 1940 e 1960 em decorrência da Segunda Guerra Mundial, que levou mulheres à trabalharem nas indústrias de armamentos, algo que ajudou na independência financeira feminina.

Além disso, 1960 foi o ano do surgimento da pílula anticoncepcional nos Estados Unidos, o que possibilitou às mulheres poder de escolha para administrar a própria vida sexual. A partir desse breve panorama, podemos perceber que Bonequinha de Luxo, ao trazer uma protagonista tão independente, estava perfeitamente alinhado às revoluções da época. 


Porém, por mais que tenha sido um filme importante na década de 1960, podemos dizer que esse filme traz um discurso que deve ser mantido atualmente? Minha resposta é não, pois atualmente podemos ver que toda a liberdade e independência demonstradas por Holly são ofuscadas pelas atitudes de Paul ao final do filme. Como mencionei, cheguei a torcer pelo casal em certo momento, mas o final me fez detestar Paul completamente.

Ao perceber que estava apaixonado por Holly, ele resolve se declarar a ela. Entretanto, ela ainda não está pronta para aceitar seus sentimentos, então recusa o relacionamento. O que acontece a seguir são diversas atitudes desesperadas do personagem para tentar convencer Holly de que ela deve ficar com ele. A personalidade da protagonista, definida pela própria como “livre e selvagem”, já fazia com que esperássemos uma recusa inicial e possivelmente uma mudança de opinião no futuro.

Porém, o verdadeiro incômodo é o momento em que Holly, após perder sua chance de se casar com um homem milionário, precisa lidar com as insistências de Paul dentro de um táxi. Muito irritada, Holly quer mostrar a ele que não pertence a ninguém, assim como nada também lhe pertencia, e para isso a protagonista abandona seu gato de estimação na rua. É nesse instante que Paul faz o discurso mais decepcionante de todos:

Sabe qual é o seu problema, Senhorita-Quem-Quer-Que-Seja? Você é medrosa. Não é corajosa. Tem medo de encarar a realidade e dizer: a vida é assim. As pessoas se apaixonam. As pessoas pertencem umas às outras. É a única chance que têm de serem felizes. Você acha que é uma criatura livre e selvagem e morre de medo de que alguém a ponha em uma jaula. Bom, querida, você já está na jaula! Você mesma a construiu.

Na minha perspectiva, o personagem poderia ter usado diversos argumentos para tentar convencer Holly de que ela seria feliz com ele, mas ele a convence justamente negando sua liberdade. Ele impõe a ela que o único modo de ser feliz é estando com ele e, mais do que isso, “pertencendo” a ele. É tão decepcionante ver Holly aceitando algo assim que, quando desce do táxi, cheguei a pensar que ela apenas iria atrás do gato abandonado, mas no fim ela acaba indo em busca dele e de Paul.


Conclusão: todo o conceito de mulher independente que o filme buscava transmitir morre no instante em que Paul define quais são os limites da liberdade de Holly e quais são as atitudes que ela precisa tomar. Por esse motivo, por mais que eu tenha amado a protagonista, não posso dizer que gostei do final do filme, assim como espero que muitas pessoas também não se sintam representadas por esse relacionamento.

Após conversar com a Mirian Furtado, minha colega de blog, descobri que outras críticas já haviam sido feitas ao Paul como personagem e, ao pesquisar um pouco sobre o assunto, soube que ele foi bastante alterado em relação ao livro de onde surgiu. Sendo assim, acredito que seja útil ler o livro de Truman Capote para conferir essas mudanças.

Na última quinta-feira, os fãs ficaram apaixonados pelo teaser divulgado da nova animação de O Rei Leão, que estreia no ano que vem. A nova versão tem traços mais realísticos, o que fez com que alguns confundissem com live-action. Apesar de continuar sendo um trabalho de animação, o que mais encantou os fãs foi a fidelidade que o trailer mostra em relação ao filme original.

Por também amar esse filme, que apresenta a trilha sonora mais marcante de todas as animações da Disney na minha opinião, resolvi escrever esse TOP 5 das minhas músicas favoritas das produções da Disney. Além dessas, há outras ótimas canções que para mim merecem ser citadas, como Colors of The Wind (Pocahontas), Beauty and the Beast (A Bela e a Fera) e Once Upon a Dream (A Bela Adormecida), então considerem que foi difícil escolher apenas cinco. 



Sinopse: Em um Brasil retrofuturista onde serviçais robóticos e geringonças apocalípticas coexistem com o sobrenatural, o jornalista Isaías Caminha desembarca em Porto Alegre para cobrir a prisão do infame assassino Dr. Antoine Louison, aprisionado no lendário asilo São Pedro para Psicóticos e Histéricas. Na noite anterior à sua execução, porém, o facínora escapa, desaparecendo como um fantasma de folhetim. À medida que Isaías embrenha-se no mistério do desaparecimento de Louison, passa a questionar seus próprios valores, forja amizades improváveis e junta-se ao Parthenon Místico – sociedade secreta que reúne o imortal satanista Solfieri de Azevedo, o cientista louco Dr. Benignus, a médium indígena Vitória Acauã e os aventureiros do oculto Sergio Pompeu e Bento Alves.  

Editora: LeYa | Páginas: 303 | Ano: 2014 | Preço: R$ 26,50


“Sobreviverás ao abismo da tua própria loucura?”

Logo de início, devo dizer que este livro me surpreendeu muito e acredito que durante os próximos meses estarei sempre o indicando em qualquer ocasião em que eu veja uma oportunidade. “A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison” é o primeiro livro da série “Brasiliana Steampunk”, e o único publicado até o momento.

Sempre gostei do subgênero steampunk (retrofuturismo), por isso quando descobri a existência de um livro que faz uso desse cenário escrito por um autor nacional, tive a certeza de que eu deveria lê-lo. Enéias Tavares foi grandioso em conseguir trazer todos os aparatos tecnológicos como robôs à vapor e zepelins para as terras brasileiras, mas isso foi apenas o começo.

A história do livro se passa em 1911, quando um jovem jornalista chamado Isaías Caminha chega à Porto Alegre. Sua tarefa é escrever uma reportagem sobre o assassino Antoine Louison, acusado de matar cruelmente oito renomados aristocratas da cidade. Já sentenciado à morte, Louison aguarda a execução de sua pena no asilo São Pedro para Psicóticos e Histéricas. 


Antes de escrever a reportagem, Isaías busca conhecer mais sobre o acusado, o que faz com que se surpreenda com a personalidade do doutor. Louison é um homem extremamente elegante, culto e engajado em projetos sociais. Sua inteligência e sensibilidade impressionam o jornalista de tal forma que ele passa a se questionar se aquele homem seria realmente um assassino.

Louison jamais negara os crimes dos quais fora acusado. Pelo contrário, diversas provas depunham contra ele, inclusive os vários desenhos que o próprio havia feito expondo os órgãos de suas vítimas em uma galeria de arte. Porém, enquanto Isaías se depara com tantas dúvidas, acaba conhecendo um estranho grupo de pessoas que se autodenomina Parthenon Místico.

O Parthenon é uma sociedade secreta composta pela médium Vitória Acauã, o imortal Solfieri de Azevedo, o excêntrico cientista Dr. Benignus e os aventureiros Sergio Pompeu e Bento Alves. No momento, todos eles têm um único objetivo: libertar Louison. E quando o prisioneiro desaparece do hospício, resta uma dúvida a Isaías e a nós: quem está certo nesta história?


Assim como Isaías, me vi diante de alguns conflitos morais durante a leitura, e não poderei explicá-los sem dar spoilers, mas tudo o que posso dizer é que esse livro nos mostra uma escolha perigosa entre o que é certo e o que é justo. A obra gera perguntas ao leitor: ele realmente matou as pessoas? Por que ele faria isso? Por serem vítimas aristocratas, estaria ele em favor dos pobres?

Essas dúvidas permeiam a narrativa e o final é surpreendente. Com o avançar do livro, o autor vai nos dando algumas pistas sobre os mistérios que envolvem o doutor. O livro todo é narrado por meio de cartas e gravações que os personagens enviam uns aos outros, o que faz com que sejamos capazes de perceber suas diversas personalidades e o que cada um sabe sobre Louison.

Por se tratar de uma história que se passa em 1911, Tavares fez questão de utilizar em seu texto a mesma grafia de palavras usada na época, o que certamente deu um encanto a mais à narrativa. Por exemplo, você não vai encontrar uma menção à fotografia neste livro, mas certamente vai encontrar um “registro photoeléctrico”. 


Por fim, não poderia deixar de mencionar os personagens do livro. Isaías Caminha, Solfieri, Vitória Acauã, Simão Bacamarte... Você reconhece esses nomes? A obra de Tavares é criada em torno de personagens clássicos da literatura nacional que agora fazem parte do domínio público, criações de Álvares de Azevedo, Machado de Assis, Lima Barreto e outros grandes autores.

Admito que boa parte dos livros em que estes personagens aparecem originalmente ainda não li, mas um dos objetivos do autor também era causar a curiosidade para que mais pessoas lessem esses clássicos e conhecessem os personagens que inspiraram seu livro. E comigo isso deu certo, pois já quero procurá-los para próximas leituras.



Na última sexta-feira, a banda britânica Muse lançou seu oitavo álbum, “Simulation Theory”. Com o lançamento do primeiro single, “Dig Down”, no ano passado, admito que eu não estava muito confiante sobre esse álbum, mas acabei me surpreendendo muito. Posso dizer que ainda prefiro “The Resistance” e “Drones”, mas o novo álbum tem muitos pontos positivos.

Assim como os álbuns anteriores, que traziam músicas contextualizadas com fortes críticas sociais e até sociedades distópicas, “Simulation Theory” também apresenta essa temática, porém de forma mais leve, seguindo pelo viés do retrofuturismo e da ficção científica da década de 1980. Inclusive, a capa do álbum foi feita por Kyle Lambert, o mesmo criador de arte da série Stranger Things. 


Um porão, nove jovens e uma Magnum 608. O que poderia ter levado universitários da elite carioca – aparentemente sem problemas – a participar de uma roleta-russa? Um ano depois do trágico evento, que terminou de forma violenta e bizarramente misteriosa, uma nova pista, até então mantida em segredo pela polícia, ilumina o nebuloso caso. Sob o comando da delegada Diana Guimarães, as mães desses jovens são reunidas para tentar entender o que realmente aconteceu, e os motivos que levaram seus filhos a cometerem suicídio. Por meio da leitura das anotações feitas por um dos suicidas durante o fatídico episódio, as mães são submersas no turbilhão de momentos que culminaram na morte de seus filhos. A reunião se dá em clima de tensão absoluta, verdades são ditas sem a falsa piedade das máscaras sociais e, sorrateiramente, algo maior começa a se revelar.

Editora: Companhia das letras | Páginas: 342 | Ano: 2017 | Preço: R$ 39,90 


Este livro explodiu minha cabeça por que foi uma leitura no susto. Eu estava numa fase de ressaca literária e um dia, fui fazer hora na livraria cultura porque ia encontrar uma amiga e cheguei muito cedo. E como fazemos a hora passar numa livraria?

Depois de fuçar um pouco, me deparei com este livro, sentei e comecei a ler um pouco, meio por curiosidade e eu não consegui parar enquanto não terminei o livro. (Não, eu não li o livro todo na livraria, tive que terminar em casa).
Há muito tempo um livro não prendia tanto a minha atenção quanto este e fico muito feliz quando isto acontece.

E por que este livro em especial me causou tantas emoções?

A premissa do livro é muito interessante, mais do que isso, muito instigante. Jovens cometem suicídio durante uma roleta russa? Eu já ouvi falar de coisas assim, não sei dizer se foi uma notícia mesmo ou se alguma lenda da deep web, mas me lembro de já ter ouvido falar de algo assim e um livro com uma história assim me pareceu interessante.

Este é o primeiro livro do autor e li algumas opiniões dizendo que a escrita dele melhora bastante. Não que a desse livro seja ruim mas daria pra dar uma enxugada no livro, alguns momentos poderiam ter sido descritos de uma forma mais objetiva.



Eu tive muita dificuldade em me conectar com os personagens porque de um modo geral eles são bem terríveis, no sentido das coisas que são capazes de fazer e do tipo de pensamento que eles têm. A violência que acontece neste livro é sem limites, aquela demonstração básica do pior que tem no ser humano.

A falta de conexão com os personagens poderia ser um problema, mas o que não se conecta com eles, compensa conectando com a história. É muito difícil não se sentir totalmente sugado pelo o que tá acontecendo e como as coisas na história vão se amarrando uma nas outras num crescendo absurdo. Em certos momentos podemos até imaginar o que vai acontecer a seguir (ou talvez eu tenha uma mente tão perturbada quanto a dele), mas mesmo assim é impossível não ficar impressionado com o nível de horror que pode acontecer naquele porão.

Eu fiquei na dúvida sobre como falar deste livro sem entregar nada dele porque isso faz toda a diferença. A constante sensação de curiosidade mórbida que sentimos é provavelmente o que faz essa leitura nos prender tanto.


O final eu achei meio questionável, não que tenha estragado a experiência mas eu acho que se o livro tivesse acabado antes, teria sido melhor. Acho que o tema do livro tem muito mais a ver com a essência humana, me lembrando um pouco com algo como “O senhor das moscas”, e gosto muito de quando os autores não têm medo de se jogar nas profundezas da mente humana para chegar ao pior que pode encontrar nela.

Não recomendo a leitura para qualquer um porque as descrições são fortes e pode impressionar muito os corações mais sensíveis. Mas pra quem gosta de um bom suspense/terror, vai na fé. Agora quero ler os outros livros do autor, sempre ouço coisas boas a respeito.


PS: Agradecimento a Mariana Mortari pelas fotos. =D




Sinopse: 1891. Um ano após o suicídio de Vincent Van Gogh, Armand Roulin (Douglas Booth) encontra uma carta por ele enviada ao irmão Theo que jamais chegou ao seu destino. Após conversar com o pai, carteiro que era amigo pessoal de Van Gogh, Armand é incentivado a entregar ele mesmo a correspondência. Desta forma, ele parte para a cidade francesa de Arles na esperança de encontrar algum contato com a família do pintor falecido. Lá, inicia uma investigação junto às pessoas que conheceram Van Gogh, no intuito de decifrar se ele realmente se matou.



Direção: Dorota Kobiela e Hugh Welchman | Gênero: Animação | Ano: 2017


A série da Netflix, "a Maldição da residência Hill" despertou muitos sentimentos e emoções diferentes nas pessoas, algumas ficaram totalmente apavoradas e outras, como eu, não gostaram tanto. Sinceramente eu achei a série meio arrastada demais e com um final bastante questionável. 


Mas tudo na série foi um desperdício de tempo?

Não posso dizer isso. Além de uma produção muito bonita e atuações interessantes, tem um episódio em especial que chamou minha atenção e é sobre ele que falarei, portanto, teremos spoilers nesse texto.

No episódio 5, The bent neck lady, temos finalmente um episódio do ponto de vista de Nell, que a esta altura sabemos que cometeu suicídio (pelo menos aparentemente), e iremos finalmente descobrir o motivo de tal ato.

Vamos direto a infância de Nell na residência Hill, onde ela passa a ser assombrada por um fantasma apavorante que ela chama de “Bent-neck lady”, a moça do pescoço torto, devido a aparência da figura fantasmagórica de pescoço quebrado. Essa assombração gera desde a infância de Nell episódios de paralisia do sono, problema este que a acompanha até a vida adulta, causando-lhe muito problemas relacionado a insônia e ansiedade.



Nell ainda na infância enfrentou toda uma situação inexplicada com o pai e a morte da mãe e isso a marcou, junto com as aparições da moça do pescoço torto.
Já adulta, ela procura um tratamento para sua paralisia do sono, não acredita muito que pode resolver isso já que se trata de um problema sobrenatural, mas tenta mesmo assim. Nessa consulta, ela conhece Arthur, seu futuro marido. Vemos cenas do casamento dela em outro episódio e mesmo nesse e certamente o questionamento do que levou ela ao suicídio, já que o clima de felicidade era evidente em Nell durante o casamento.

Essa felicidade fez com que ela tivesse cada vez menos episódios de paralisia do sono e as aparições fantasmas desapareceram de sua vida nessa fase.
Porém determinada noite, Nell volta a ter uma crise de paralisia do sono e desta vez volta a ver a moça do pescoço torto mas seu marido que sabe lidar muito bem com a situação, tenta ajudá-la, se levantando para acender a luz mas cai desacordado no chão. Nesse momento Nell que está paralisada tem a visão da fantasma e acredita que o que aconteceu a Arthur tem a ver com ela. 


Posteriormente descobriríamos que Arthur morreu de um aneurisma, mas Nell não pode acreditar nisso pois seria uma incrível coincidência a volta da fantasma no momento da morte do marido.
A morte do marido e novas aparições da moça do pescoço torto atormentam Nell que passa a entrar em crise com os familiares e com a vida que tem levado, resolvendo que a única forma de se livrar daquilo é voltando a residência Hill.

Ela tenta contato com os irmãos antes de chegar a casa e todos os irmãos a ignoram, o quê criou toda uma situação propícia para um possível suicídio. Luto, depressão, raiva, solidão, culpa, Nell passava por tudo isso naquele momento.

Ao entrar na casa, Nell começa a ter visões com a família e com o marido, chegando a dançar uma valsa com ele, numa cena bonita e bizarra. Após a dança, ela acompanha a mãe até uma escadaria, e a mãe lhe dá um colar que tinha lhe prometido ainda na infância, colocando este em seu pescoço. Mas isso não passava de uma armadilha e o que Nell tem em seu pescoço é uma corda, que a leva a cair e com a força da queda, Nell quebra o pescoço.
Nesse momento temos a revelação de que o tempo todo, a moça do pescoço torto era a própria Nell assombrando ela mesma. E temos uma sequência em que Nell vê ela mesma em todos os momentos em que ela teve a visita da moça do pescoço torto.



Achou assustador? Pode conferir a série, se tiver coragem, na Netflix. Se já viu, me diga o quê achou nos comentários.



Sinopse: Blackeberg, subúrbio de Estocolmo. Oskar (Kare Hedebrant) é um garoto de 12 anos que se sente só. Na escola ele sempre é provocado por outros garotos e, apesar da raiva que sente, é incapaz de reagir. Um dia, ao brincar no pátio repleto de neve do prédio onde mora, ele conhece Eli (Lina Leandersson). Ela é uma garota pálida e solitária, que se mudou para a vizinhança recentemente, em companhia de seu suposto pai. Apesar do temor em se aproximar de Oskar, logo Eli se torna sua amiga. Paralelamente, uma série de assassinatos macabros em que o sangue das vítimas é retirado começa a acontecer. Eli está envolvida com estes fatos de uma forma que Oskar jamais poderia imaginar.



Direção: Tomas Alfredson | Gênero: Terror | Ano: 2008

                            




Sinopse: No século XV, um líder e guerreiro dos Cárpatos renega a Igreja quando esta se recusa a enterrar em solo sagrado a mulher que amava, pois ela se matou acreditando que ele estava morto. Assim, perambula através dos séculos como um morto-vivo e, ao contratar um advogado, descobre que a noiva deste é a reencarnação da sua amada. Deste modo, o deixa preso com suas “noivas” e vai para a Londres da Inglaterra vitoriana no intuito de encontrar a mulher que sempre amou através dos séculos.



 Direção: Francis Ford Coppola | Gênero: Terror | Ano: 1992






Sinopse: Quando Arthur Rimbaud escreveu à sua irmã Isabelle “A vida é uma miséria sem fim. Por que existimos?”, ele tinha 37 anos e apenas mais alguns meses de vida. Mas que importância tem isso para alguém que viveu muitas vidas em uma só: uma vida de aluno precoce, de adolescente rebelde, uma vida efêmera de poeta genial, de amante de Paul Verlaine, uma vida de grande viajante, de negociante na Abissínia, uma vida de estropiado, de aleijado, errando pelos desertos da África Oriental, uma vida de tragédia grega, de verbo e de silêncio? Vida e obra se confundem para formar a incrível saga de Arthur Rimbaud na terra. Esta, que é uma das maiores aventuras poéticas de todos os tempos, é reconstituída nesta brilhante biografia.



Editora: L&PM | Páginas: 221 | Ano: 2011 | Preço: R$ 14,87


“On n’est pas sérieux quand on a dix-sept ans.”


Ninguém é sério aos dezessete anos. Essa frase, que dá início ao poema “Romance”, define com perfeição a personalidade do jovem e boêmio Arthur Rimbaud. Era natural que estivesse em constante mudança, que não gostasse de monotonia, que buscasse novas coisas para aprender e lugares para conhecer.

Rimbaud é certamente um dos maiores poetas franceses que já existiu. Por esse motivo, é surpreendente que seja possível encontrar sua vida toda descrita no curto espaço de 221 páginas. Mas Jean-Baptiste Baronian fez um grande trabalho nesta biografia, sendo capaz de narrar toda a trajetória do rapaz e incluir em sua narrativa diversos poemas escritos por Rimbaud, além de cartas que marcaram importantes momentos de sua vida.

Quando falamos sobre poesia estrangeira, há muito o que considerar, mas o principal aspecto de preocupação para muitos é certamente a tradução. Se a tradução já é um elemento de grande importância no texto em prosa, na poesia é ainda mais. Isso acontece porque a tradução precisa conciliar no texto poético tanto os significados empregados pelo autor quanto o ritmo utilizado no poema.


          O trabalho da tradutora foi muito eficiente nesse aspecto, pois a edição conta com os poemas originais em francês e uma tradução que respeita a métrica e o estilo de Rimbaud. Além disso, a obra também nos apresenta várias notas de rodapé que nos explicam muito sobre elementos citados e sobre o contexto do século XIX vivenciado pelo poeta.

Todos esses artifícios foram usados para narrar com detalhes a vida de Rimbaud, um garoto que nasceu no interior da França e que, desde criança, já demonstrou grande talento na poesia. Rimbaud foi um poeta simbolista e em sua obra encontramos muitos poemas que carregam as características desse movimento, tais como elementos metafísicos, místicos, misteriosos e românticos.

Além disso, durante a adolescência também escreveu alguns poemas inspirados pela Comuna de Paris, a primeira tentativa de implantação de um governo socialista. Durante esse período, contou com a ajuda de um professor e amigo que o orientou a conhecer profundamente os trabalhos dos grandes poetas da época. 


Foi desta forma que conheceu a obra de Paul Verlaine, com a qual se encantou logo de início. Em uma oportunidade que tiveram para se encontrar em Paris, Rimbaud e Verlaine perceberam então que tinham muito em comum: o estilo poético, as opiniões políticas e, principalmente, uma profunda admiração um pelo outro.

Os dois passaram a manter um relacionamento amoroso, apesar de Verlaine já ser casado. Porém logo as dificuldades financeiras, as discussões e os boatos fizeram com que o relacionamento dos dois desmoronasse, sendo definitivamente rompido com um acesso de fúria de Verlaine, que disparou dois tiros contra Rimbaud antes de ser levado à prisão.

A partir de então, a vida de Rimbaud se tornou uma grande busca pela própria identidade. Em um curto espaço de tempo, seu amor pela poesia foi substituído por novos interesses, como as viagens, o mundo dos negócios e o encanto das fotografias. Diversos foram os sofrimentos pelos quais passou durante a vida adulta, mas sempre esteve disposto a lidar com eles para descobrir algo novo.


O que impressiona na vida de Rimbaud é o fato dela ter sido tão curta e tão produtiva. O poeta não apenas falava francês, mas também inglês, alemão, árabe, russo e italiano. Viveu na França, na Inglaterra, na Alemanha, na Itália, isso sem falar do período em que trabalhou para um circo viajante. Também tocava piano e seu conhecimento pelo território da África Oriental se tornou tão profundo que ele foi capaz de publicar diversos textos científicos sobre regiões que nunca haviam sido exploradas por povos que não fossem as tribos nativas.

Ao realizar a leitura desse livro, me emocionei muito em certos momentos, principalmente ao ler sobre a vida adulta do poeta. Suas transformações são constantes e, talvez devido ao próprio estilo melancólico de se expressar, as cartas que troca com a mãe, a irmã e Verlaine são muito intensas e dramáticas. Como leitor, é possível que sejamos capazes de sentir todas as angústias pelas quais ele passa em períodos de dificuldade.

O livro se apresenta em uma edição pocket, que apesar de simples, é muito prática. Mesmo que apresente um formato pequeno, a fonte é de tamanho agradável para a leitura. Achei a versão bem completa, pois ao fim da obra ainda encontramos anexos com uma cronologia da vida de Rimbaud além de muitas referências de outras obras sobre o poeta.


Recentemente tive uma experiência muito divertida assistindo ao anime “Ao no Exorcist”, também conhecido como “Blue Exorcist”. Gostei muito da história de Rin, um garoto que, ao descobrir ser filho de Satã e compreender o terrível histórico de seu pai na sociedade em que vive, resolve se tornar um exorcista para lutar frente à frente contra o pai.

Uma das coisas que mais gosto no anime é a relação entre Rin e seu irmão gêmeo, Yukio. É meio angustiante observar o quanto os dois têm personalidades diferentes e, mesmo que gostem muito um do outro, sempre parece haver uma inveja reprimida, principalmente por parte de Yukio. Os conflitos de identidade de Rin pelo fato de ser um demônio também são bem interessantes.





Sinopse: Quem é que nunca desejou conhecer ao vivo os personagens de seus livros prediletos? Mo, além de exímio encadernador, tem uma habilidade insólita: ao ler em voz alta, dá vida às palavras, e coisas e seres das histórias surgem ao seu lado como que por mágica. Numa noite fatídica, quando sua filha Meggie ainda era praticamente um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro misterioso chamado “Coração de Tinta” – e acabou mandando para lá sua mulher. Meggie não conhece essa história, até que um estranho visitante aparece no meio da noite. Com roupas gastas como as de um artista de circo, os dedos cobertos de fuligem, e no ombro um bicho de estimação com pequenos chifres pontudos, ele não é um estranho para Mo, que o convida a passar a noite na casa – os dois têm muito a conversar. Quando na manhã seguinte Mo avisa à filha que eles precisam fazer imediatamente uma viagem, ela entende que algo muito errado está ocorrendo. É o começo de uma aventura perigosa, cheia de acontecimentos fantásticos e reviravoltas imprevistas, que vai mudar para sempre a ideia que Meggie tem sobre os livros e suas histórias. Primeiro volume da trilogia “Mundo de Tinta”.



Editora: Companhia das Letras | Páginas: 455 | Ano: 2006 | Preço: R$ 34,30


“Por acaso você sabe como a sua história termina?”

Coração de Tinta é o primeiro livro da trilogia Mundo de Tinta. Esse volume nos conta a história de Meggie, uma garota que mora com seu pai, um encadernador de livros. Tanto Meggie quanto o pai adoram livros, mas a garota nunca entendeu os motivos dele jamais querer ler histórias em voz alta para ela, até o dia em que um estranho chega na casa dos dois.

Na verdade, o rapaz é um velho conhecido de seu pai e, por mais que o dono da casa tente evitar a presença do visitante, o recém-chegado acaba sendo o responsável por uma grande revelação na vida de Meggie. Graças a ele, a garota acaba descobrindo que seu pai possui o incrível dom de tirar dos livros tudo aquilo que lê em voz alta.

Mas essa novidade não é tudo. O excêntrico rapaz, chamado Dedo Empoeirado, também lhes traz uma terrível notícia: um dos maiores vilões que havia sido tirado de um livro agora está à procura do pai de Meggie. Inicialmente, os personagens não compreendem os motivos disso, mas logo percebem que precisam fugir e procurar um esconderijo.


Há diversas coisas que gosto neste livro, mas há algo que aparece como um ponto negativo para mim: o vilão. Capricórnio, como é chamado o inimigo de Meggie e seu pai, é um líder que comanda um grupo de homens treinados para matar às suas ordens. Ele é uma figura que impõe medo aos habitantes do vilarejo devido às simbologias que usa para se assemelhar ao Diabo, mas é difícil entender a razão pela qual seus próprios seguidores o respeitam.

Mesmo sentindo falta de um pouco de profundidade em Capricórnio, percebi o quanto a autora fez um ótimo trabalho quanto a isso em outros personagens, dos quais gostei muito. Um deles é Elinor, a tia-avó de Meggie. Acredito que todas as pessoas que gostam de livros deveriam ler Coração de Tinta, pois ele é como um relato de amor à literatura e isso é principalmente manifestado por essa personagem.

Elinor trata seus livros como tesouros e sempre se lembra de uma história ou personagem literário que possa comparar com as situações pelas quais passa. Tudo isso já me faz gostar muito de Elinor, mas o que mais me faz gostar dela é a sua força. Nem a idade e nem seu físico a impedem de ser firme, enfrentando todos com ousadia, sem abaixar a cabeça nem para os vilões.


Tão ousado quanto ela é Dedo Empoeirado, meu personagem favorito na história. Não devo falar muito sobre ele para evitar spoilers, mas posso descrevê-lo como um saltimbanco sarcástico e misterioso. Dedo Empoeirado costuma ir aonde quer carregando sua marta (animal parecido com furão) de estimação na mochila. Por seu caminho, ele faz shows de malabarismo e apresentações pirotécnicas engolindo e cuspindo fogo.

Considero esse personagem o mais complexo da narrativa. O tempo todo, ele tem apenas um objetivo em mente e faz de tudo para alcançá-lo. Por ser completamente impenetrável pelos outros personagens e pelo próprio leitor, nunca é possível saber tudo o que é de seu conhecimento e se ele é alguém em quem os protagonistas devem confiar ou não.

Além da marta de estimação, Dedo Empoeirado logo encontra alguém que está disposto a acompanhá-lo aonde quer que vá. Este companheiro é Farid, um garoto árabe que sempre foi maltratado pelos criminosos para quem era obrigado a trabalhar. Por sua vivência em um ambiente hostil, é interessante observar o quanto Farid é frio diante de situações que parecem horríveis aos outros.  


Em meio aos personagens, outro ponto que não me agrada muito é a personalidade de Meggie. Ela me parece uma garota muito dependente do pai e isso se tornou cansativo para mim. Porém, com o avançar da história, observamos que Meggie vai ganhando mais autonomia. Acredito que ela possa evoluir muito ao longo da trilogia e estou esperançosa quanto a isso.

Sobre a edição, posso dizer que adoro essa capa e que ela traz muitas referências às situações da história. A fonte utilizada no texto é de tamanho agradável e o livro é dividido em capítulos acompanhados de uma epígrafe. Gostei muito dessas epígrafes, pois nelas há referências de livros clássicos que se encaixam perfeitamente com as situações vividas pelos personagens. O livro também conta com pequenas ilustrações no fim dos capítulos.